Se considerarmos estritamente suas localizações e aparências, o novo Merritt Crossing, em Oakland, e o renascido Tenderloin YMCA, em São Francisco, são totalmente diferentes.
No que diz respeito à forma como se integram aos seus contextos — os ambientes sociais e construídos —, eles são como duas gotas d’água.
Cada um deles abriga moradias para pessoas de baixa renda e, muitas vezes, em situação de vulnerabilidade, projetadas por arquitetos locais para incorporadoras sem fins lucrativos da região. Eles se apresentam à rua com uma confiança atraente que deve tornar o ambiente ao seu redor um pouco mais acolhedor.
Elas também são mais uma prova da habilidade cultivada pela Região da Baía de produzir moradias acessíveis e de qualidade, com impactos positivos que vão além da vida dos moradores que nelas vivem.
Essa não é uma tendência nova, como mostram as histórias por trás desses dois projetos.
O Merritt Crossing foi projetado pela Leddy Maytum Stacy, um escritório de arquitetura que, na última década, realizou meia dúzia de edifícios desse tipo. Seu cliente, a Affordable Housing Associates de Berkeley, construiu ou reformou 28 empreendimentos, totalizando cerca de 1.000 unidades, desde sua fundação em 1993.
O próprio complexo é um belo edifício de seis andares com 70 apartamentos para idosos, localizado na periferia do bairro chinês de Oakland, ao longo da Oak Street, bem em frente à Interstate 880.
A transformação da YMCA no que hoje é conhecido como Kelly Cullen Community é algo bem diferente. O complexo fica no coração do bairro de Tenderloin, na esquina da Golden Gate Avenue com a Leavenworth Street, e oferece uma variedade de serviços, além de 172 apartamentos. Mas também é fruto do trabalho de veteranos: a Tenderloin Neighborhood Development Corporation, com 31 anos de existência, e a Gelfand Partners, que já reformou mais de duas dúzias de prédios antigos para uso como moradia subsidiada.
Nesse caso, o desafio era gigantesco: restaurar um edifício opulento e imponente de 1910 que ainda mantinha um ginásio e um auditório entre suas paredes com colunas, mas havia perdido a grande escadaria que levava ao saguão do segundo andar. Havia também o desejo de criar espaços médicos que atendessem tanto ao bairro quanto aos moradores dos andares superiores, que começam a se mudar este mês e, em muitos casos, já passaram algum tempo vivendo nas ruas.
O resultado presta homenagem ao passado e aposta no futuro.
Os elementos históricos remanescentes no interior do prédio foram restaurados e estão como novos, incluindo uma suíte de canto com painéis de madeira no terceiro andar, que outrora foi o domínio do presidente da YMCA, mas que agora abrigará o gerente noturno do prédio. A escadaria foi recriada com base em fotografias do prédio datadas de seu período de maior esplendor.
A maior parte do térreo, porém, foi reformada para dar espaço a diversos serviços sociais, entre os quais uma clínica administrada pelo Departamento de Saúde Pública. Os aconchegantes apartamentos no andar superior são novos, assim como o terraço na cobertura destinado aos moradores, com espaço para o cultivo de hortaliças.
Um projeto como esse não vai transformar o Tenderloin, mas será uma presença estabilizadora em um bairro que precisa de toda a ajuda possível. E provavelmente isso não teria acontecido sem a experiência e a paciência da TNDC, que passou quatro anos reunindo recursos
de 13 fontes para viabilizar o projeto de $95 milhões.
Se Merritt Crossing é mais simples — e de fato é —, o resultado não é menos animador.
Depois que uma incorporadora privada abandonou, em 2008, os planos de construir condomínios a preços de mercado, a Affordable Housing Associates comprou o terreno e contratou a Leddy Maytum Stacy, que já havia trabalhado com a organização sem fins lucrativos no passado.
Agora temos um cubo discreto, mas colorido, com longos painéis de cimento em tom vermelho-tijolo voltados para a rodovia e em verde empoeirado onde o prédio se ergue atrás de casas menores. Um jardim para os moradores se estende por toda a extensão do prédio no lado leste; no lado oeste, o térreo é recuado para dar espaço a canteiros profundos que suavizam o ambiente da calçada — o que não é tarefa fácil, com a rodovia a oeste e um posto de gasolina ao sul.
A paisagem projetada pela Cliff Lowe Associates funciona também como um sistema de retenção de águas pluviais, parte de uma abordagem geral voltada para a sustentabilidade que coloca o projeto no caminho certo para obter a cobiçada certificação platina do U.S. Green Building Council. Essa ênfase também define a forma do edifício: a fachada oeste é composta por uma camada dupla de paredes com três pés de distância entre elas. Isso proporciona sombreamento e reduz o acúmulo de calor nos apartamentos, além de ajudar a atenuar o ruído da rodovia.
Embora essas medidas possam ser caras, elas se traduzem em custos de energia mais baixos — e, como a incorporadora será a proprietária e administradora do prédio, o investimento faz sentido. Essa visão de longo prazo também se traduz em um esforço para tornar os apartamentos o mais universalmente acessíveis possível. Por exemplo, tanto a Gelfand quanto a Leddy Maytum Stacy garantiram que as portas dos apartamentos tivessem dois olho mágicos, um deles na altura da cadeira de rodas.
Esses projetos não vão resolver todos os problemas da sociedade. Eles não vão reduzir o custo médio da moradia em uma região que é uma das mais caras do país.
Em vez disso, são oásis para pessoas com poucas opções, construídos com respeito pela comunidade na qual estão inseridos. A Região da Baía tem a sorte de ser beneficiária desses esforços, ano após ano após ano.
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