Apenas alguns dias antes da Semana da Moradia Acessível, que vai até 19 de maio, ativistas locais, consumidores e defensores da causa se reuniram em Oakland para discutir a questão da moradia para pessoas que vivem com HIV/AIDS.
A reunião foi organizada por Rosa Davis — gerente médica e coordenadora-chefe de casos do Projeto Comunitário Eat Oakland — e Darice Bridges — coordenadora de informações e encaminhamentos sobre moradia para pessoas com AIDS da Eden I&R, também conhecida como Alameda County 211. Ambas colaboraram para formar a Força-Tarefa Comunitária de AIDS da East Bay.
Em uma reunião semelhante em São Francisco, Bridges e Davis perceberam que havia a necessidade de conectar os prestadores de serviços da East Bay aos membros da comunidade. Embora o número de pessoas que vivem com HIV/AIDS seja menor em Oakland do que em São Francisco, as porcentagens/taxas são semelhantes e, em alguns grupos demográficos, chegam a ser ainda maiores.
A reunião começou com uma apresentação de Bridges sobre os recursos locais disponíveis. Ela forneceu uma lista dos incorporadores e projetos do Condado de Alameda que reservam unidades para pessoas com AIDS.
Entre as 12 agências e organizações sem fins lucrativos estão a Affordable Housing Associates, o Allen Temple, a East Bay Asian Local Development Corporation e a Autoridade de Habitação de Oakland. Juntas, elas oferecem mais de 1.500 unidades habitacionais, das quais 192 são reservadas para pessoas que vivem com AIDS. Os requisitos para a obtenção dessas unidades podem ser complexos, e a reunião foi repleta de relatos pessoais de usuários e prestadores de serviços sobre as frustrações com o processo.
Em seguida, houve uma apresentação em PowerPoint e uma discussão conduzida por Nancy Bernstine e Christine Campbell, da Coalizão Nacional de Moradia para Pessoas com AIDS. De acordo com informações coletadas junto a autoridades federais em Washington, D.C., todos os recursos do programa HOPWA — Oportunidades de Moradia para Pessoas com AIDS — dos condados de Alameda e Contra Costa são encaminhados à cidade de Oakland para distribuição.
A diretora-adjunta de Habitação do Condado de Alameda, Michelle Starratt, confirmou o procedimento, mas não os valores citados pelos palestrantes da NAHC. Enquanto autoridades federais afirmaram que ainda há milhões de dólares em reserva, Starratt declarou que todos os recursos estão, no momento, destinados a projetos. Ela também explicou que o dinheiro é dividido na proporção de 50/50 – metade dos recursos é destinada à assistência habitacional aos consumidores e a outra metade é dedicada à construção de novas unidades habitacionais.
Muitos dos presentes na sala comentaram sobre o fato de que as necessidades habitacionais estão mudando. O programa HOPWA foi criado numa época em que o diagnóstico de HIV era considerado uma sentença de morte — e não uma doença crônica e controlável.
A ativista local Lauren Jones disse: “A maior parte do financiamento é baseada nos casos de AIDS, e a maioria de nós tem como meta não contrair mais a AIDS. Vamos apenas ser HIV positivos. Temos em mente que as moradias para pessoas com AIDS são moradias de cuidados paliativos. Então, o que podemos fazer para que essas moradias promovam a independência?”
Foram apresentadas diversas estatísticas e resultados de pesquisas, demonstrando que a moradia é uma ferramenta essencial para conter a disseminação do HIV.
Os últimos palestrantes da reunião foram uma equipe de pesquisadores liderada por Richard Speiglman. Eles estão realizando uma avaliação das necessidades de moradia para pessoas com AIDS no Condado de Alameda – a primeira avaliação desse tipo em 16 anos. Até novembro, eles entrevistarão usuários em clínicas locais e realizarão grupos focais em inglês e espanhol.
Todos os presentes concordaram que a defesa de causas é uma parte essencial do processo. Com a perda de mais de $59 milhões por ano em verbas para reurbanização e os cortes cada vez maiores decorrentes do sequestro orçamentário, tanto as novas construções quanto a assistência atual serão afetadas.
Christine Campbell alertou que a oferta de moradia acessível em Oakland ajuda a evitar alguns dos problemas enfrentados em outras regiões do país — como no Sudeste dos EUA. Os serviços relacionados ao HIV/AIDS estão mais facilmente disponíveis em Oakland do que em San Leandro ou em outras áreas periféricas, afirmou ela.
“Não se quer criar o tipo de problema em que as pessoas tenham que dirigir 90 milhas para ter acesso aos serviços.”
Leia o Artigo original.